mercredi 11 mai 2011

CONTOS DE REIS E DE RÉIS SEM PONTOS NEM ACÇÃO

CARTA A FILÓSOFOS DE INCLINAÇÃO SOCRÁTICA

que dizes do dia de hontem,


do ser velho por onde te miras quando acordas,

que já foi novo em hontens mais arrecuados, mas que queres manter novo e fresco

mesmo quando já decrépito e decadente

nas rugas onde deixas descansar a memória,

enquanto limpas o golpe que a faz escoar sem dor e sem remorso,

nas gentes sem futuro que te mancham a alma antes já suja


que dizes do dia de hontem que perdeste para sempre na luz que para o espaço voltou,


no fumo das vidas que não te lembras sequer de queimar,

no dinheiro que se esvaiu das mãos como areia

das ampulhetas cheias de pequenos e grandes pulhas

no país que não te disseram

que ias virar?

que dizes do dia de hontem que passou,e já não voltará

que passou nos rumores e nos silvos das cobras políticas

e das mansas gentes que são o seu sustento,

nas folhas das vidas, na quente fé demo crática que se tornou fria,

esfriaram nas palavras que não disseste, nas que pronunciaste

e nas que não te lembraste que poderias dizer se tentasses abrir a boca?


que dizes do dia de hontem,

e dos outros que não viste e não verás

pois pertencem a outras gentes e lugares

dos de cuja alma sugastes

ou simplesmente apenas a carne desses dias que comestes

Paciênmcia ó boas gentes piores dias virão

e os dias de hontem serão esquecidos por novos hontens e nãotens que se seguirão

e ratings e ratos que inflamarão gentes sem senso

e hão-de vir mais talvez para Julho com o apertar da dívida americana

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